quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Reunião do FMP - Fórum de Movimentos Populares de Goiás

Na ultima terça-feira (31/07) realizamos uma reunião do Fórum de Movimentos Populares de Goiás para discutirmos e encaminharmos as deliberações tiradas na I Etapa do Seminário sobre Concepção de Projeto Popular e Luta de Classes em Goiás. Vejam na integra o relátorio da reunião.


Reunião com Fórum de movimentos Populares (FMP)

31 de agosto de 2012

Iniciamos a reunião com uma apresentação das pessoas e em seguida uma breve memória do processo do fórum dos Movimentos Populares (FMP).

            A pauta apresentada foi: avaliação do seminário – 1- A luta de classes em Goiás e projeto Popular; 2- Encaminhamento da metodologia, assessoria e mobilização da II etapa do Seminário Luta de classes em Goiás...; 3- contribuição na coordenação do ato da mobilização do Grito dos Excluídos. Diante do publico que a maioria não havia participado do seminário anterior, foi feito a opção de atermos apenas no ponto de pauta da participação deste grupo na mobilização do Grito dos Excluídos. Ainda foi feito um relato de onde vem a idéia dessa atividade, informa que deste processo já realizamos mais ou menos seis reuniões e um encontro de formação dia 07 de julho em um processo bem freiriana, nesta atividade, teve a participação de mais ou menos 40 organizações e 60 pessoas. E saímos com essas novas demandas novos desafios, que seria aprofundar a luta de classes em Goiás e como ato concreto contribuir na coordenação da mobilização do Grito dos Excluídos, um processo que já tem uma historia de 18 anos de existência e ai pautarem o fora Marconi com conteúdo.

O grupo propõe algumas idéias para realização e articulação do ato do dia 7 de setembro, Grito dos Excluídos. Um dos desafios colocado é viabilizar transporte para que os movimentos principalmente do campo e das periferias de Goiânia possa vir; ter cuidado para que o Fora Marconi não seja o ponto central do ato e sim as temáticas descritas no manifesto fora Marconi, acreditando que o Lema do Grito, “Queremos um Estado a Serviço da Nação...” consegue explicitar o que queremos com o fora Marconi isso nos assegura para que a fala proposta para o ato seja dentro das temáticas. 

A proposta é pensar a metodologia por blocos temáticos, dando continuidade ao processo da Assembléia Popular da Região Noroeste com a proposta de abordar os temas Saúde e educação dialoga com o manifesto construído pelo MP, (Saúde, educação, reforma agrária, segurança publica, moradia...) e no final ver uma pessoa que consiga articular todas as temáticas para concluir o ato. A outra proposta é de concentrar na assembléia legislativa, sair em marcha pela praça cívica, contornar a praça cívica, e descer a Avenida Goiás até a praça do trabalhador fazendo referencia simbólica aos três poderes (assembléia legislativa, fórum, palácio do governador e câmara municipal), ponha encerraria o ato.  A proposta é que dia 11 teremos um encontro de formação de aprofundamento das lutas de classe em Goiás, e como proposta deste grupo, refletir como se deu e como o coronelismo consegue se mantiver por tanto tempo aqui em Goiás e como a luta de classe em Goiás tem se revelado, pra isso vamos contar com a assessoria do professor Silvio Costa da Universidade Católica de Goiás. Pela manhã essa proposta de formação e aprofundamento e a tarde daremos continuidade a pensar a metodologia do Grito dos Excluídos com mais movimentos envolvidos e encaminhar as demandas do FMP, como a organicidade deste Fórum MP, dar continuidade no fora Marconi, pensar um calendário de reuniões e avaliação do encontro.

Seminário discutiu a Política de Reforma Agrária no Governo Dilma


Mesa de abertura
*Por Pedro Ferreira

O Fórum de Reforma Agrária e Justiça no Campo do Estado de Goiás realizou nos dias 31 de Julho e 01 de Agosto de 2012 um seminário estadual para discutir os limites e avanços na política de Reforma Agrária do Governo Dilma.

No dia 31 de julho após a mesa de abertura que contou com a participação de autoridades que contribuem na luta pela Reforma Agrária como também dos representantes dos movimentos populares de Goiás. O professor Dr. Claudio Maia (UFG) apresentou um estudo sobre o orçamento destinado nos últimos dez anos para reforma agrária.

Segundo a pesquisa apresentada pelo Professor Claudio Maia (com base em dados dos próprios órgãos governamentais) a falta de dinheiro para reforma agrária não é devido à queda de receita, mais sim questão de opção política do Governo. Além do orçamento destinado para a execução da política de Reforma Agrária ser pouco, o que é orçado não é executado, só apenas cerca de 50 a 60%.

O Professor Cláudio Maia também ressaltou que quanto maior a pressão dos movimentos campesinos, sobretudo através de ocupações, o governo destina mais recurso para política de reforma agrária, no entanto quando diminui as ocupações como no ultimo período, diminui também o orçamento destinado pelo governo.

O processo de reforma agrária no Brasil e em Goiás avança nas regiões mais empobrecidas e degradadas, que são as regiões norte e nordeste, regiões onde o agronegócio não é tão desenvolvido.

Após a fala do Professor abriu-se para o debate, onde as intervenções de lutadoras e lutadores da luta pela reforma agrária como também dos servidores do INCRA que estão em greve em todo o Brasil, reafirmaram na prática, através de relatos de situações concretas o que a pesquisa apresentada mostra - Que de fato o governo atual não tem nenhuma vontade de realizar a reforma agrária.

Reforma Agrária em marcha ré

Na mesa seguinte o debate deu se em torno da normativa interna Nº 71 do INCRA que dispõem sobre a ocupação de lotes da reforma agrária de forma irregular (Veja In 71- Incra 17 Maio 2012 Col). Segundo Marília da direção do INCRA –GO – Será feito a fiscalização para detectar as situações irregulares (sobretudo, questões relativas à venda de lotes), em seguida a retomada ou regularização de alguns casos.

Os movimentos campesinos presentes e até mesmo servidores do INCRA apontaram varias contradições presentes no documento, em especial o art14º, onde segundo Anair do MBTR (Movimento Brasileiro dos Trabalhadores Rurais) – É uma brecha para regularizar a venda de lotes da reforma agrária, o que é ilegal. Os movimentos colocam que este documento é mais um golpe na luta dos movimentos populares por uma reforma agrária de fato, é inaceitável a venda de lotes e inadmissível que o governo regularize esse absurdo. As organizações foram unânimes em dizer que o governo deve sim fiscalizar e retomar os lotes vendidos, no entanto deve ouvir os movimentos como também dar estrutura interna para que o INCRA faça esse trabalho.

Aumenta a burocracia para o processo de aquisição de áreas para assentamento de famílias

Outra questão discutida no seminário foi a respeito das novas diretrizes para aquisição de áreas para o assentamento de novas famílias. Estabelecido pela resolução Nº 5/12(Resolução Incra que define procedimentos de obtenção de terras ...). O que segundo Silvano chefe de obtenção de terras do INCRA-GO torna o processo bem mais burocrático e demorado. Uma das questões mais debatida foi o limite de 100 mil reais o custo família para aquisição de novas áreas. O que segundo servidores e dirigentes dos movimentos - Fica impossível encontrar área em Goiás desse valor. A não ser áreas bem degradadas.

Debate a cerca de programas de apoio a agricultura familiar

Uma questão debatida foi sobre o programa de Biodiesel na agricultura familiar apresentado pelo Delegado regional do MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário) Otacílio que falou sobre os limites e avanços do programa (Veja Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel).

Para Gerailton da FETRAF-GO – O programa não beneficia a agricultura familiar, mais sim as empresas. É um projeto que tem inserido a cultura da monocultura nas áreas de assentamento, sobretudo a cultura da soja em Goiás.

Os programas de apoio a agricultura familiar são na verdade uma forma do governo inserir a pequena agricultura na cadeia de produção do grande agronegócio. Sem respeitar os princípios agroecológico e a relação harmoniosa meio ambiente.

Observatório da atuação do poder judiciário nos conflitos agrários decorrentes de ocupações de terra

Os estudantes do Curso de Mestrado em Direito Agrário da UFG, apresentaram no seminário uma pesquisa sobre como se dá a atuação do judiciário nos casos de conflito agrários no Pará, Mato Grosso, Goiás e Paraná (De 2003 a 2011). Segundo a pesquisa 59,68% dos processos são de reintegração de posse. As decisões dos juízes quase sempre favoráveis ao proprietário baseiam se no direito civil, não levando em consideração o que diz a constituição federal sobre a função social da propriedade.

Os movimentos populares falaram da importância da pesquisa assim como da parceria da universidade com os movimentos populares, sobretudo os campesinos.

Deliberações finais do Seminário Estadual do Fórum de Reforma Agrária e Justiça no Campo de Goiás

Após os dois dias de debates e reflexões sobre a política de reforma agrária do atual governo. Foram aprovadas as seguintes deliberações:

1-      Recomendar a faculdade de direito da UFG abertura de mais cursos sobre a questão agrária;

2-      Moção d apoio e solidariedade a greve dos servidores do INCRA e MDA assim como de todos os servidores federais;

3-      Recomendação para revogação do Art. 14 da normativa Nº71 do INCRA;

4-      Realização de um seminário para aprofundamento da pesquisa sobre o orçamento para reforma agrária e a política de assistência técnica e extensão rural;

5-      Cobrar que seja mantida a resolução aprovada na conferência nacional de assistência técnica e extensão rural sobre a criação de uma agencia reguladora no MDA e não no MAPA como está sendo criado;

6-      Reivindicação de que os movimentos sejam ouvidos nos processos de retomada de lotes vendidos ou ocupados de forma ilegal (Nº71);

7-      Reivindicar que o governo federal aumente o custo por família que atualmente é de 100 mil.

8-      Limitação de cultivo de soja e outras monoculturas nas áreas de assentamento, assim como a necessidade do INCRA acompanhar a implementação dos projetos de Biodiesel;

9-       Reivindicar junto ao governo de Goiás a EMATER para que a mesma de assistência técnica exclusivamente a agricultura familiar e camponesa;

10-  Pagamento das áreas que estão em Brasília para o assentamento de mais famílias;

11-  Carta de repudio a forma com que o governo trocou o presidente nacional do INCRA sem nenhum dialogo com os movimentos campesinos;

12-  Mobilizar e fortalecer o Encontro dos camponeses nos dias 20, 21 e 22 de Agosto de 2012 em Brasília.

“A reforma agrária radical é a única que pode dar a terra ao camponês.” (Che Guevara)

 *Pedro Ferreira – Educador Popular e militante do Bloco de Resistência Socialista.

Album de fotos: Seminário Fórum de Reforma Agrária de Goiás

CONVITE

CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA UNIVERSITÁRIA Nº  03/2012
DIA 06/08/2012

O VICE-REITOR, NO EXERCÍCIO DA REITORIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, usando de suas atribuições legais e estatutárias,

CONVOCA

os corpos docente, discente e técnico-administrativo em educação da Universidade Federal de Goiás para reunião da ASSEMBLEIA UNIVERSITÁRIA, a realizar-se no dia 6 de agosto de 2012, segunda-feira, com início às 8h 30min, no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal – Câmpus Samambaia, para tratar da seguinte temática:


- Uma análise da Universidade Federal de Goiás no momento em que há uma greve de professores e servidores técnico-administrativos em educação em curso, uma grande expansão de suas atividades e um novo Plano Nacional de Educação em discussão no Congresso Nacional com a proposta de recursos financeiros da ordem de 10% do PIB para a educação brasileira.

GABINETE DA REITORIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, aos 31 dias do mês de julho de 2012.


Prof. Eriberto Francisco Bevilaqua Marin
- Reitor em exercício -

Fórum Goiano de EJA

Colegas, mantendo nossa perspectiva de que essa lista seja também um espaço de trocas e formação virtuais, divulgamos aos que ainda não tiveram acesso, a edição nº 36  (2)da Revista da Faculdade de Educação - Revista Inter-Ação, existente de 1975 e que traz nesse número um dossiê sobre Educação de Jovens e Adultos.
O dossiê foi organizado pelas professoras, e também parceiras fundadoras do Fórum Goiano, Maria Margarida Machado e Maria Emília de Castro Rodrigues (UFG).
Acessem o link da revista no www.forumeja.org.br/go e aproveitem para conhecer/acessar/revisitar nosso Portal!
Trata-se de material que traz temáticas relacionadas ao fazer e pensar a EJA: histórico da modalidade, escrito com excelente qualidade de síntese e abordando seus movimentos mais recentes, educação do campo, profissional, currículo, inclusão, experiências de educação popular... Enfim, para que conheçam o conteúdo do dossiê e desejem acessá-lo, seguem os títulos das produções nele contidas: 







Ana Lúcia Sarmento Henrique, Jose Moises Nunes da Silva, Maria das Graças Baracho





Artigos



Teses e Dissertações


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO DA FE–UFG



Dossiê: artigos

    
Abraço a todos e mantemos nossa preocupação em relação ao fato de terem interesse ou não em se manter recebendo nossos e-mails.
Agradecemos aos que responderam a essa indagação e continuamos aguardando você nos dizer sobre seu interesse (ou não)!
Abaixo ao lixo eletrônico!!!
Atenciosamente,
Janaina C.
Pela coordenação colegiada do Fórum Goiano

Kátia Abreu tenta impedir criação de novas Unidades de Conservação no TO

Por Leilane MarinhoDa pagina O ECO
Ao todo, 9 milhões de reais destinados à conservação de um dos biomas mais ameaçados no planeta, o Cerrado, poderão escorrer pelo ralo no Tocantins. O recurso é destinado ao Projeto Cerrado Sustentável, do Fundo Mundial para o Meio Ambiente, financiado pelo próprio Fundo e pelo Banco Mundial, que prevê a criação 250 mil hectares de Unidades de Conservação de proteção integral até 2013. A verba está disponível, mas a morosidade do poder público e adversários políticos do projeto ameaçam a conservação de porções ideais do bioma para a biodiversidade.

Em 2005, estudos apontaram 3 áreas como prioritárias para a conservação no estado: Serra da Cangalha, com 16,8 mil hectares, Interflúvio Tocantins-Paranã, com 105,4 mil hectares, e Vale do Rio Palmeiras, de 20 mil hectares. O objetivo do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês Global Environment Facility) é criar novas Unidades de Conservação nessas áreas, mas, além da lentidão usual da burocracia brasileira, outro fator também atrasa o projeto: aliados políticos do atual governo estão fazendo oposição às unidades. Na linha de frente, a senadora Kátia Abreu e seu filho, o deputado federal Irajá Abreu, pressionam o governador Siqueira Campos para deter o processo, especialmente nas áreas do Interflúvio e do Vale do Rio Palmeiras.

Conhecedor das áreas, o ornitólogo Túlio Dornas está preocupado com o prazo e o contexto político. Ele diz que a falta de agilidade é fruto do desinteresse do poder público. “As pessoas que estão trabalhando no processo reclamam da falta de apoio do governo estadual”, relata Dornas.

Procurado pelo ((o))eco, o secretário de meio ambiente e desenvolvimento sustentável do Estado, Divaldo Rezende, disse que o governo do estado está “consciente do compromisso assumido com o Banco Mundial” e acredita que não haverá empecilho para que os projetos sejam concluídos.  Entretanto, das 3 Unidades de Conservação previstas, a única que está com o processo adiantado é a de Serra da Cangalha, que será criada com o objetivo de preservar sítios naturais raros.

Mãe e filho questionam UCs

Em abril, o deputado Irajá Abreu encaminhou ofício ao governador solicitando que “não sejam criadas novas Unidades de Conservação Ambiental estaduais e federais no Estado”. No documento, ele justifica que o Tocantins já possui 50% das suas áreas protegidas, apoiado por uma tabela de números anexada, que demonstra esse cálculo através da inclusão de áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente. Porém, falha em dizer que Unidades de Conservação de proteção integral cumprem exigências mais rigorosas de conservação.

No mesmo mês, Kátia Abreu enviou requerimento à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, solicitando o cronograma de instalação das futuras unidades de conservação federais e a descrição detalhada dos perímetros de suas áreas. O ICMbio tem 5 projetos de Unidades de Conservação para o Tocantins, sendo uma delas o Vale do Rio Palmeiras, que também é uma proposta estadual. No mesmo texto, a senadora argumentou que as unidades prejudicariam o agronegócio, pois parte das terras agricultáveis do estado seriam atingidas.

Procurado pelo ((o))eco, Irajá de Abreu, através de nota, reiterou o raciocínio e deu um número diferente. Segundo ele, a posição que defendeu junto ao governador é decorrência dos 61% (e não os 50% colocados no ofício) de terras do Tocantins já serem protegidas pela legislação ambiental, “razão pela qual não há necessidade de se criar novas áreas, ainda mais sem a previsão orçamentária para indenizar as eventuais desapropriações”.

Neste ponto, Irajá tem o apoio de Divaldo Rezende. “Ele não está errado. Como vamos criar UCs sem orçamento pra comprar as terras?”, disse o secretário. Entretanto, Rezende acredita que ainda há tempo hábil para conciliar a criação das novas Unidades de Conservação com o prazo dos financiamentos internacionais, mesmo que o orçamento não seja aprovado este ano.

O ameaçado periquito tiriba de pfrimeri (pyhrrua pfrimeri) encontra refúgio na vegetação ainda preservada das Matas Secas. (Foto: Tulio Dornas)

Região não serve para o agronegócio

O total de áreas de proteção integral no Tocantins é bem diferente da conta do deputado Irajá. A parcela de áreas estaduais é de 290 mil hectares, ou 1,05% da área do estado, englobando os parques de Jalapão, Cantão e Lajeado, além do Monumento Natural de Árvores Fossilizadas. As áreas de proteção integral federais somam outros 2 milhões de hectares, ou 7,2% do Tocantins e incluem o Parque Nacional do Araguaia, Parque Nacional Nascentes do Rio Parnaíba e a Estação Ecológica Serra Geral. Dessa forma, o total de áreas de proteção integral do estado é de 8,25%. A adição de 140 mil hectares desses novos parques, equivalente a 0,5% do Tocantins, elevaria esse número para 8,75%.

De acordo com o biólogo Túlio Dornas, os argumentos de Kátia Abreu também não procedem. Tanto no Vale do Rio Palmeiras quanto em Paranã as terras são inadequadas para atividades agrícolas. No Vale, o solo tem alto teor de calcário, ruim para plantações.

Em Paranã, além das fortes secas, uma formação rochosa a mais de 1.000 metros de altitude, caracterizada de Cerrado Rupestre, também torna a região imprópria. Porém, a região é rica em manganês, o que excita outros interesses. “Existem pessoas sondando manganês em Paranã. Com o estabelecimento da ferrovia Leste-Oeste, há o interesse por instalar indústrias dessa matéria prima, já que teria escoamento pelo Maranhão e Bahia”, conta Dornas.

Em maio, fiscais do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) apreenderam pela segunda vez este ano duas retroescavadeiras extraindo manganês irregularmente na Serra do Mocambo. Silemon Bento França, fiscal do órgão, conta que as extrações sem licença são frequentes. “É comum termos esse tipo de denúncia aqui, a serra já está toda cavada”, declara.

Prioridade esquecida

No Vale do Rio Palmeiras e no Interflúvio Tocantins-Paranã, encontra-se os últimos remanescentes no Brasil da Floresta Estacional Decidual, mais conhecida como Matas Secas. Nesse tipo de vegetação, as árvores podem atingir uma altura superior a 25 metros. Suas copas são abrigo de vários pássaros, entre eles, o ameaçado periquito tiriba de pfrimeri (Pyhrrua pfrimeri). Estima-se, sua população nativa caiu em 50 anos para um quinto da original, devido ao desmatamento.

“Essa espécie assim como outras associadas às Matas Secas não são protegidas por nenhuma Unidade de Conservação no Tocantins”, conta Tulio Dornas, que estuda o pfrimeri com um grupo de pesquisadores das universidades federais do Tocantins e Goiás, em parceria com a SAVE- Brasil e apoio da Fundação O Boticário.

Corredor ecológico

Formado pelo triângulo compreendido pelos rios Paranã e Tocantins, o Interflúvio faz fronteira com o Goiás e destaca-se por ser uma área bastante singular, com grande possibilidade de se conectar com o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros e outras Unidades de Conservação, criando um mosaico protegido viável.

Dentro de uma perspectiva ecorregional, a UC Interflúvio Tocantins – Paranã seria uma área chave para a formação do Corredor Paranã- Pirineus, o único totalmente no Cerrado. Com ele, o vale do rio Paranã seria conectado à região de Pirenópolis e as nascentes dos rios das Almas e Corumbá. “Essa questão é importante, porque boa parte das áreas protegidas do Cerrado é pequena e isolada demais”, ressalta Fábio Olmos.

“O Vale do Palmeiras já foi muito impactado pela pecuária e pela construção de hidrelétricas. É um habitat frágil do ponto de vista de vulnerabilidade à erosão e mudanças climáticas”, conta Fabio Olmos, biólogo e colunista do ((o))eco. Olmos participou de pesquisas que avaliaram a biodiversidade da região sudeste do Tocantins. Ele conta que a única unidade de conservação de proteção integral das Matas Secas é o Parque Estadual Terra Ronca, em Goiás, e, como essa vegetação já foi quase extinta, as novas Unidades de Conservação aumentariam as chances de evitar seu desaparecimento.

Especialista em ecologia de aves da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Renato Pinheiro participou de consultorias para a criação das Unidades de Conservação. Ele ressalta que, através do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio/MMA), o Ministério do Meio Ambiente classificou a região sudeste do Tocantins como prioridade “alta e muito alta”. No entanto, nem mesmo a consideração do ministério colocou as Unidades de Conservação entre as ações prioritárias do governo tocantinense.

“As razões para essa classificação do MMA são baseadas nos diversos atributos naturais da região, como formações de valor cênico, abundância de recursos hídricos e uma elevada diversidade biológica”, explica Renato, completando: “Somado a isso, há ainda no projeto das duas Unidades de Conservação a presença de áreas com dimensões suficientes para a manutenção de populações em longo prazo e condições adequadas para manutenção de Cerrado”.

Paranã está na lista dos que mais desmataram

Em março deste ano, o Ministério do Meio Ambiente divulgou lista com os municípios que mais desmataram o Cerrado. Paranã, município onde fica  Interflúvio Tocantins-Paranã, aparecem entre os 9 citados no Tocantins.

Nas Avaliações Ecológica Rápidas (AERs), há relatos de que nesta área encontra-se  árvores raras com maior número de espécies de importância econômica, como o angico (Anadenanthera macrocarpa), ipê-amarelo (Tabebia alba) e o ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa), taipoca (Tabebuia roseo-alba), aroeira (Miracrodruon urundeuva), jatobá (Hymenaea stigonocarpa) e o timbó (Magonia pubescens).

Segundo Olmos, as florestas que sobraram continuam sendo exploradas pela madeira. “Aroeiras costumavam ser comuns mas foram exterminadas. O gado solto nas florestas que restam impede o recrutamento das árvores”, diz.

Outra ameaça apontada pelos estudos complementares das Unidades de Conservação foram as extensas derrubadas de árvores para produção de carvão. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, os baixos preços das propriedades têm favorecido a aquisição de terras apenas para a instalação de carvoarias.

Lançamento Expressão Popular


Hugo Chávez saúda "Campanha Brasil está com Chávez" - 31/7/2012