quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MACHISMO - Não minimize uma dor que você não conhece

"Sou homem.

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil.
Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira.
Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece."

(Camila Oliveira Dias )

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

ENCONTRO DE PLANEJAMENTO 2014

                              ENCONTRO DE PLANEJAMENTO 2014

CARTA CIRCULAR 01/2014

Aos movimentos populares, pastorais sociais e organizações populares que constroem a Rede de Educação Cidadã em Goiás.


Camaradas,
 As opções políticas da Recid-GO passam pela construção coletiva dos processos de formação e dos espaços dessa articulação reuniões ampliadas - espaço permanente de avaliação e planejamento coletivos com a participação de 02 pessoas de cada organização popular que compõe a Recid no Estado de Goiás  e o Encontro  de planejamento - espaço de avaliação dos processos políticos pedagógicos e a partir dos desafios levantados com o coletivo estadual, pensa ações na perspectiva de superação dos desafios da conjuntura atual.
 Em 2013 realizamos um belo processo de formação com as organizações e movimento que compõe a rede em Goiás, foi uma construção de vários atores, sonhos e utopias que saíram desse espaço de planejamento para superar uma conjuntura de muito descaso na educação, saúde, segurança publica, transporte, enfim, casos de violações de direitos humanos que já conhecemos e reconhecemos que foi o ano de 2013 em Goiás, uma realidade cruel com o empobrecido que vivem a margem da sociedade brasileira
No  sentido de dar continuidade a luta contra as violações de direitos humanos  e entendendo que é preciso dar continuidade ao entendimento de luta de classe e nos articular enquanto classe trabalhadora que a rede de Educação Cidadã de Goiás, quer juntamente com os movimento Populares, Pastorais Sócias e Organizações Populares de Goiás construir coletivamente em 2014 espaços de formação permanente para superação das desigualdade desse país.  
O convite é para participar do Encontro de Planejamento 2014, nos dias  22 e 23 de fevereiro, com inicio as 8h do dia 22 e termino as 13h do dia 23 no Centro Cultural Cara Vídeo (rua 83 nº 361 st. Sul – Goiânia-GO), onde olharemos  para todo o processo  político, pedagógico, organizativo e de sustentabilidade que realizamos durante o ano bem como para o nosso planejamento 2013 e avaliarmos se de fato conseguimos realizá-lo. Diante disso, possamos juntos e juntas Planejar  Ações  para fortalecer os movimento na luta de classe em 2014.   Sua participação é de suma importância nessa construção coletiva.
 Aguardamos a sua confirmação pelo fone – 32035222 ou por e-mail –talhergoias10@gmail.com


Goiânia, 21e janeiro de 2014
Atenciosamente,

Rede de Educação Cidadã de Goiás

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

III Etapa da Escola de Formação de Educadores/as Popular



À todos os movimentos, organizações e pessoas parceiras da Rede de Educação Cidadã,
A Recid-GO tem o prazer de convidar a todas/os educadoras e educadores populares para participarem da III etapa da Escola de Formação de Educadoras e Educadores, bem como da última reunião ampliada deste ano.

A Escola de Educadoras e Educadores terá como tema a Metodologia da Educação Popular nesta etapa e contará com assessoria de Prof. Alda (PUC-GO), Willian Bonfim (Dep. de Educação Popular e Mobilização Social da Presidência da República) e Ângela Cristina (educadora da Recid). Terá início na sexta-feira (dia 13/12), às 19h, indo até domingo (15) às 16h.

Já a Reunião Ampliada tem por objetivo discutir as ações da Recid nos últimos três meses e planejar os próximos. Acontecerá juntamento com a Escola, no sábado às 19h. 

Ambas atividades são abertas para quem tiver interesse e sem qualquer custo. Neste sentido, reforçamos que a participação de um grande número de educadores/as e militantes de diversas organizações contribui significativamente para enriquecer o debate e nossa formação. Além disso, do ponto de vista do planejamento das oficinas para o próximo período, a presença na reunião ampliada é de fundamental importância para diversificar as ações já no início do ano de 2014.

Apenas pedimos que as pessoas façam inscrição pelo telefone (62) 3203-5322 ou pelo email talhergoias10@gmail.com para fins de organizarmos a alimentação. O alojamento de quem não for de Goiânia também será garantido pela Recid. Trazer apenas material de higiene pessoal e toalhas.
 
Como é de costume no fim de ano, vamos organizar uma confraternização de Amigo Secreto de Chocolate durante a atividade. Onde o sorteio será feito no início da escola e a revelação no sábado pela noite. Funciona da seguinte forma, cada companheiro deve adquirir um chocolate na média de R$ 5,00 a R$ 10,00 para ser trocado com o amigo na noite de confraternização.

Local: Casa de Retiro da Missionária Jesus Crucificado
Rua 95, N° 84 – Setor Sul, Goiânia-GO.

Atenciosamente,
Secretaria da Rede de Educação Cidadã


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

1° Marcha das Vadias- Anápolis

O Coletivo Feminista Diversas de Anápolis como parceira da Recid-GO tem a satisfação de convidar todxs para a 1° Marcha das Vadias de Anápolis.

Mais informação no perfil do Facebook: https://www.facebook.com/pages/Coletivo-Feminista-Diversas/

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Seminário de Direitos Humanos.

        A Rede de Educação Cidadã como parceira do Seminário de Direitos Humanos e do Curso Sobre Direitos, organizado pelo Centro de Referência em Direitos Humanos da Casa da Juventude Padre Burnier tem o prazer de convidar os parceiros da Recid para participarem do Seminário conforme dados abaixo:

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Tem início o Seminário Educação Popular em Direitos Humanos

A Rede de Educação Cidadã se faz presente no Seminário Educação Popular em Direitos Humanos, que fez parte da abertura do Curso de Educação em Direitos Humanos – Formação de Defensor@s e Promotor@s de Direitos Humanos, realizado no dia 20 de setembro de 2013, na Casa da Juventude Pe. Burnier (CAJU), coordenado pelo Centro de Referência em Direitos Humanos, – um convênio celebrado entre a CAJU e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Com a proposta de “capacitar agentes de cidadania em uma cultura de direitos humanos, mediação de conflitos e pratica de uma justiça restaurativa”, com a participação de militantes, gestores, educador@s e estudantes, envolvidos na pauta de Direitos Humanos e suas especificidades.

A RECID foi representada no Seminário pelo educador Dennis Lucas Gonçalves que fez uso da fala, apontando os desafios da Educação Popular em diálogo com os Direitos Humanos. A proposta do Seminário teve o intuito de partilhar as experiências de movimentos sociais e políticos, nas práticas de Educação em Direitos Humanos.

Segundo Dennis, a educação popular deve ter como princípio o aprendizado com as comunidades de base, buscando ampliar conceitos, no sentido de intervir na realidade e na nossa concepção das coisas, buscando uma atuação em direitos humanos que paute, questões como a redução da pobreza, desemprego, falta de moradia e a fome.

Por Diogo Damasceno, educador social, designer gráfico e educador ambiental no Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Goiás.