sexta-feira, 14 de março de 2014

IRMÃOS, IRMÃS OU MERCADORIA?


“Volta para a selva, seu negro macaco, ladrão, safado, imundo. Temos que matar todos, seus negros sujos. Márcio Chagas, tu é a escória do mundo, seu lixo, mal intencionado.” Assim o juiz de futebol Márcio Chagas da Silva foi ‘recepcionado’ num jogo de futebol em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul. O jogador Arouca do Santos também sofreu ofensas racistas em Mogi Mirim, São Paulo, assim como o jogador Tinga, em jogo do Cruzeiro de Minas no Peru.
O racismo no Brasil, explícito ou disfarçado, não é nenhuma novidade. Assim como o preconceito. E muitas vezes se expressa em horas de comoção, quando não se consegue reprimir os sentimentos, ou em meio a multidões, onde os personagens se escondem no meio de outras pessoas. A escravidão brasileira, a mais longa de todas as escravidões, a que acabou mais tarde (pelo menos a formal e pública), deixou marcas profundas, encravadas na sociedade, na convivência diária, nas relações humanas e sociais. Como disse o jogador Tinga: “Preconceito é coisa que vivo em todos os momentos. É geral, e não é só o meu caso. Para quem nasce pobre, como eu, e negro, o maior preconceito é o social. A minha esposa é branca e é casada comigo há 18 anos. As pessoas olham para ela e olham para mim de um jeito diferente. No Brasil, a gente fala de igualdade, mas esconde o preconceito. A gente fica fingindo que todos são iguais.”
A Campanha da Fraternidade/2014, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e igrejas cristãs na quaresma, tem muito a ver com estas manifestações racistas e preconceituosas em estádios e é absolutamente oportuna. Seu título é ‘Fraternidade e Tráfico Humano’ e seu lema ‘É para a liberdade que Cristo nos libertou’(Gl, 5,1).
E há uma feliz coincidência. O filme vencedor do Oscar/2014 é ‘12 anos de escravidão’, contando a história de Soloman Northup, um negro livre sequestrado nos Estados Unidos em 1841. Vendido como escravo, Soloman é obrigado a trabalhar durante 12 anos nas plantações do Estado de Louisiana. Soloman não era escravo. Era homem livre como os demais brancos. Sabia ler e escrever, coisa que muitos brancos na época não sabiam. Não realizava trabalhos braçais como os escravos, era músico profissional. Mesmo assim, foi raptado e vendido como escravo, do mesmo jeito que os demais africanos que vinham para os EUA como escravos.
O texto-base da Campanha da Fraternidade diz: “A sociedade escravocrata legou ao Brasil, pós Lei Áurea, uma estrutura que relega grande parte da população ao sofrimento da marginalização. (...) O combate a preconceitos e à discriminação nas mais variadas esferas deve integrar as ações de enfrentamento ao tráfico humano, pois eles dificultam o empenho de maior número de pessoas e organizações na superação desse crime.”
O tráfico humano, em 2014, pleno século XXI, não é um problema menor. Para o papa Francisco, o tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas. Ele aparece e acontece através da exploração no trabalho – trabalhadores bolivianos e peruanos -, no tráfico para a exploração sexual – não só mulheres, também homens -, para a extração de órgãos, tráfico de crianças e adolescentes – roubo e venda de crianças para serem adotadas. Segundo disse D. Leonardo Steiner, Secretário Geral da CNBB, no lançamento da Campanha, estima-se que o tráfico humano envolva R$ 65 bilhões por ano.
Racismo, preconceitos, assim como o tráfico humano, não são, portanto, coisas do passado ou resíduos de uma sociedade colonial. Lúcio Centeno, do Levante Popular da Juventude e da Rede de Educação Cidadã, escreve em ‘Acordando no Alabama dos anos 50’: “Na sociedade brasileira recorrentemente emergem fatos que questionam a existência de uma igualdade jurídica entre brancos e negros, para não falar em uma igualdade ontológica (entre ‘humanos’ e ‘subhumanos – ou macacos, grifo meu, como gritam e cantam torcedores nos estádios). As reiteradas denúncias de existência de trabalhadores vivendo ainda em situação análoga à escravidão são o exemplo mais óbvio dessa diferenciação. O caso do desaparecimento do pedreiro Amarildo no Rio de Janeiro tornou-se símbolo de uma prática policial bastante difundida nas periferias brasileiras, o tribunal de rua. Nestes 126 anos de abolição da escravidão, o processo de estratificação social se complexificou cada vez mais. O desenvolvimento capitalista em nosso país não suplantou uma estrutura social racializada. Pelo contrário, acoplou-se nela para enrijecer-se.”
O jogador Arouca disse belas palavras: “Tenho muito orgulho da minha origem africana, que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que devo procurar alguma seleção da África, dando a entender que um negro não serve para defender o Brasil. Como se algumas das páginas mais bonitas da nossa seleção não tivessem sido escritas por negros como Leônidas, Pelé e Romário.”
Em tempos de Copa do Mundo, a Campanha da Fraternidade nos chama a atenção que o ser humano é destinado à liberdade. Não é mercadoria. É irmã. É irmão.
Selvino Heck
Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República
Em catorze de março de dois mil e catorze

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Por que o apoio dos EUA à mudança de regime na Venezuela é um erro



POR MARK WEISBROT

Quando é considerado legítimo tentar derrubar um governo democraticamente eleito? Em Washington, a resposta sempre foi simples: quando o governo dos EUA diz que é. Não  por acaso, esta não é a forma como os governos latino-americanos, em geral, encaram a questão.
No domingo, os governos do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) divulgaram um comunicado sobre as manifestações da semana passada na Venezuela. Descreveram “os recentes atos de violência” na Venezuela como “tentativas de desestabilização da ordem democrática”. Eles deixaram bem claro de que lado estavam.
Declararam “seu firme compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e, neste contexto, rejeitam as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política”.
Podemos lembrar que quando manifestações muito maiores balançaram o Brasil no ano passado não houve declarações do Mercosul ou de governos vizinhos. Isso não é porque ninguém ama a presidente Dilma Rousseff, mas porque esses protestos não procuravam derrubar o governo democraticamente eleito do Brasil.
A administração Obama foi um pouco mais sutil, mas também deixou claro de que lado estava. Quando o secretário de Estado John Kerry afirma que “estamos particularmente alarmados com relatos de que o governo venezuelano mantém detidos dezenas de manifestantes antigoverno”, ele está tomando uma posição política. Na verdade, houve muitos manifestantes que cometeram crimes: atacaram e feriram policiais com pedaços de concreto e coquetéis molotov, queimaram carros, destruíram e às vezes incendiaram prédios do governo, entre outros atos de violência e vandalismo.
Um porta-voz anônimo do Departamento de Estado foi ainda mais claro na semana passada, quando expressou preocupação com o “enfraquecimento das instituições democráticas na Venezuela” e disse que havia a obrigação das “instituições governamentais responderem eficazmente à necessidades econômicas e sociais legítimas de seus cidadãos”. Ele uniu esforços com a oposição para deslegitimar o governo, uma parte vital de qualquer estratégia de “mudança de regime”.
Claro que todos nós sabemos quem o governo dos EUA apoia na Venezuela. Eles realmente não tentam esconder: há US$ 5 milhões no orçamento federal americano de 2014 para financiar as atividades da oposição dentro do país e isso é quase certamente a ponta do iceberg – somando-se as centenas de milhões de dólares de apoio explícito nos últimos 15 anos.
Mas o que torna importantes essas declarações atuais dos americanos e irrita os governos da região é que eles estão dizendo à oposição venezuelana que Washington está mais uma vez apoiando a mudança de regime. Kerry fez a mesma coisa em abril do ano passado, quando Maduro foi eleito presidente e o candidato da oposição Henrique Capriles afirmou que a eleição foi roubada. Kerry recusou-se a reconhecer os resultados das eleições. A postura antidemocrática agressiva de Kerry causou uma forte reação dos governos sul-americanos e ele foi forçado a mudar de curso e tacitamente reconhecer o governo Maduro. (Para quem não acompanhou esses eventos, não havia nenhuma dúvida sobre o resultado das eleições.)
O reconhecimento de Kerry dos resultados colocou um fim à tentativa da oposição de deslegitimar o governo eleito. Depois que o partido de Maduro venceu as eleições municipais por uma larga margem em dezembro, a oposição estava derrotada. A inflação estava em 56% e houve escassez generalizada de bens de consumo, mas uma sólida maioria ainda tinha votado no governo. Sua escolha não poderia ser atribuída ao carisma pessoal de Hugo Chávez, morto há quase um ano, e nem era irracional. Embora o ano passado tenha sido duro, os últimos 11 anos – desde que o governo passou a ter o controle sobre a indústria do petróleo – têm trazido ganhos nos padrões de vida para a maioria dos venezuelanos que eram previamente marginalizados e excluídos.
Havia muitas reclamações sobre o governo e a economia, mas os ricos e os políticos de direita da oposição não refletem os valores do povo e nem inspiram confiança.
O líder da oposição Leopoldo López tem retratado as manifestações atuais como algo que poderia forçar Maduro a sair do cargo. Era óbvio que não havia, e ainda não há, possibilidade de isso acontecer de forma pacífica. Como o professor da Universidade da Georgia David Smilde argumentou, o governo tem tudo a perder com a violência nas manifestações e a oposição tem algo a ganhar.
No fim de semana passado, Capriles, que estava inicialmente desconfiado de uma estratégia potencialmente violenta para a “mudança de regime”, mudou de ideia. De acordo com a Bloomberg News, ele acusou o governo de “infiltração nos protestos pacíficos para convertê-los em atos de violência e repressão”.
Levou muito tempo para que a oposição aceitasse os resultados das eleições democráticas na Venezuela. Eles tentaram um golpe militar, apoiado pelos EUA em 2002; quando isso fracassou, tentaram derrubar o governo com uma greve do petróleo. Eles perderam uma tentativa de reclamar a presidência em 2004 e protestaram; em seguida, boicotaram as eleições para a Assembleia Nacional, sem motivo, no ano seguinte.
A fracassada tentativa de deslegitimar a eleição presidencial em abril de 2013 foi um retorno a um passado escuro, mas não tão distante. Continua uma incógnita quão longe eles irão para ganhar por outros meios, já que não têm vencido nas urnas, e por quanto tempo terão o apoio de Washington para a mudança de regime na Venezuela.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Encontro de Planejamento da RECID-GO



Aos movimentos populares que tecem a Rede de Educação Cidadã em Goiás.

Camaradas,

Nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2014, realizaremos o Encontro de Planejamento da RECID-GO, no Centro Cultural Cara Vídeo, com o objetivo de avaliarmos o ano de 2013, levantarmos os desafios atuais e traçarmos as perspectivas para 2014.
É de extrema importância a participação efetiva das organizações populares que tecem esta rede em Goiás, dado que nossas opções políticas passam pela construção coletiva dos processos de formação e dos espaços dessa articulação.
No ano de 2013 realizamos um processo de formação em torno da educação popular, da luta de classes e da reforma política a partir do projeto popular de Brasil. Precisamos dar continuidade à luta contra as violações de direitos humanos.
Vamos juntos avaliar todo o processo político, pedagógico, organizativo e de sustentabilidade da RECID-GO, com vista nas ações de fortalecimento dos movimentos em 2014.
Pedimos a todos que confirmem recebimento desta carta e a presença no Encontro de Planejamento pelo e-mail talhergoias10@gmail.com ou pelo telefone (62) 3203-5222.

Resumo:
Encontro de Planejamento RECID – 2014
Data: 22 e 23 de fevereiro, a partir de 8 horas
Local: Centro Cultural Cara Vídeo (Rua 83, nº 361, Setor Sul, Goiânia – GO)
Confirmar participação: talhergoias10@gmail.com ou (62) 3203-5222

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MACHISMO - Não minimize uma dor que você não conhece

"Sou homem.

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil.
Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira.
Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece."

(Camila Oliveira Dias )

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

ENCONTRO DE PLANEJAMENTO 2014

                              ENCONTRO DE PLANEJAMENTO 2014

CARTA CIRCULAR 01/2014

Aos movimentos populares, pastorais sociais e organizações populares que constroem a Rede de Educação Cidadã em Goiás.


Camaradas,
 As opções políticas da Recid-GO passam pela construção coletiva dos processos de formação e dos espaços dessa articulação reuniões ampliadas - espaço permanente de avaliação e planejamento coletivos com a participação de 02 pessoas de cada organização popular que compõe a Recid no Estado de Goiás  e o Encontro  de planejamento - espaço de avaliação dos processos políticos pedagógicos e a partir dos desafios levantados com o coletivo estadual, pensa ações na perspectiva de superação dos desafios da conjuntura atual.
 Em 2013 realizamos um belo processo de formação com as organizações e movimento que compõe a rede em Goiás, foi uma construção de vários atores, sonhos e utopias que saíram desse espaço de planejamento para superar uma conjuntura de muito descaso na educação, saúde, segurança publica, transporte, enfim, casos de violações de direitos humanos que já conhecemos e reconhecemos que foi o ano de 2013 em Goiás, uma realidade cruel com o empobrecido que vivem a margem da sociedade brasileira
No  sentido de dar continuidade a luta contra as violações de direitos humanos  e entendendo que é preciso dar continuidade ao entendimento de luta de classe e nos articular enquanto classe trabalhadora que a rede de Educação Cidadã de Goiás, quer juntamente com os movimento Populares, Pastorais Sócias e Organizações Populares de Goiás construir coletivamente em 2014 espaços de formação permanente para superação das desigualdade desse país.  
O convite é para participar do Encontro de Planejamento 2014, nos dias  22 e 23 de fevereiro, com inicio as 8h do dia 22 e termino as 13h do dia 23 no Centro Cultural Cara Vídeo (rua 83 nº 361 st. Sul – Goiânia-GO), onde olharemos  para todo o processo  político, pedagógico, organizativo e de sustentabilidade que realizamos durante o ano bem como para o nosso planejamento 2013 e avaliarmos se de fato conseguimos realizá-lo. Diante disso, possamos juntos e juntas Planejar  Ações  para fortalecer os movimento na luta de classe em 2014.   Sua participação é de suma importância nessa construção coletiva.
 Aguardamos a sua confirmação pelo fone – 32035222 ou por e-mail –talhergoias10@gmail.com


Goiânia, 21e janeiro de 2014
Atenciosamente,

Rede de Educação Cidadã de Goiás

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

III Etapa da Escola de Formação de Educadores/as Popular



À todos os movimentos, organizações e pessoas parceiras da Rede de Educação Cidadã,
A Recid-GO tem o prazer de convidar a todas/os educadoras e educadores populares para participarem da III etapa da Escola de Formação de Educadoras e Educadores, bem como da última reunião ampliada deste ano.

A Escola de Educadoras e Educadores terá como tema a Metodologia da Educação Popular nesta etapa e contará com assessoria de Prof. Alda (PUC-GO), Willian Bonfim (Dep. de Educação Popular e Mobilização Social da Presidência da República) e Ângela Cristina (educadora da Recid). Terá início na sexta-feira (dia 13/12), às 19h, indo até domingo (15) às 16h.

Já a Reunião Ampliada tem por objetivo discutir as ações da Recid nos últimos três meses e planejar os próximos. Acontecerá juntamento com a Escola, no sábado às 19h. 

Ambas atividades são abertas para quem tiver interesse e sem qualquer custo. Neste sentido, reforçamos que a participação de um grande número de educadores/as e militantes de diversas organizações contribui significativamente para enriquecer o debate e nossa formação. Além disso, do ponto de vista do planejamento das oficinas para o próximo período, a presença na reunião ampliada é de fundamental importância para diversificar as ações já no início do ano de 2014.

Apenas pedimos que as pessoas façam inscrição pelo telefone (62) 3203-5322 ou pelo email talhergoias10@gmail.com para fins de organizarmos a alimentação. O alojamento de quem não for de Goiânia também será garantido pela Recid. Trazer apenas material de higiene pessoal e toalhas.
 
Como é de costume no fim de ano, vamos organizar uma confraternização de Amigo Secreto de Chocolate durante a atividade. Onde o sorteio será feito no início da escola e a revelação no sábado pela noite. Funciona da seguinte forma, cada companheiro deve adquirir um chocolate na média de R$ 5,00 a R$ 10,00 para ser trocado com o amigo na noite de confraternização.

Local: Casa de Retiro da Missionária Jesus Crucificado
Rua 95, N° 84 – Setor Sul, Goiânia-GO.

Atenciosamente,
Secretaria da Rede de Educação Cidadã