segunda-feira, 29 de outubro de 2012

VIDA LONGA, COM SAÚDE E SEM RACISMO


PROGRAMAÇÃO

A Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra 2012  esta  iniciada, com a realização de diversos eventos e mobilizações conjuntas no  Brasil e no estado d Goiás 

O lema escolhido para esse ano é Vida longa, com SAÚDE e sem racismo!No sentido de pensarmos a linha da vida como a  união do  movimentos negros , profissional  de saúde  e gestores  para o debate acerca da implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra.

Com intuito de pensarmos estrategicamente atividades para esse 27 de outubro, bem como a seqüência de nossas ações para este ano,através do Comitê Técnico de saúde  da população negra  estamos organizamos juntamente  SUPERINTENDÊNCIA DE POLITICAS DE ATENCAO INTREGRAL A SAUDE -SPAIS –GERENCIA DE PROGRAMAS ESPECIAIS,    , SECRETARIA MUNICUPAL DE SAUDE \ ASSESORIA DE PROMOCAO DE ILGUALDADE RACIAL , CONSELHO  ESTATUAL DE SAUDE ESTAMOS  ( REDES NEGRAS EM SAUDE ,  ARTICULAÇAO DE  Ongs DE MULHERES  NEGRAS BRASILEIRA , GRUPO DE MULHERES NEGRAS MALUNGA ):

                                          
A RODA DE CONVERSAR SOBRE A SAUDE DA POPULACAO NEGRAS DO ESTADO DE  GOIAS 

Data: 30/10/2012

Horas: 09h00min horas as 12h00min  

Local:     GPE\SPAIS \SES AV.Anhanguera,5.195-setor Coimbra -74043-001 Goiânia Goiás  

Agroecologia: uma cunha cravada nas contradições do sistema capitalista


CPT-MS
Comissão Pastoral da Terra - MS
Adital
Por Mieceslau Kudlavicz
Geógrafo e agente da CPT/MS

"O problema da fome é um problema político” (Josué de Castro).

Participar de evento como o 4° Seminário de Agroecologia, ocorrido nos dias 16 a 19 de outubro deste ano, em Gloria de Dourados, renova nossa esperança, renova nossas forças e nos dá a certeza de que vale a pena continuar a luta por um OUTRO MUNDO POSSÍVEL. 

A começar pelo lema do seminário "O saber tradicional e o científico: a interação encurtando caminhos para o desenvolvimento sustentável” dá uma amostra da grandeza que foi o evento. Para os defensores do progresso e das chamadas tecnologias modernas, e que reconhecem como única forma de conhecimento verdadeiro ser o acadêmico (chamado muitas vezes também de cientifico), este lema do seminário deve ter soado como um retrocesso cientifico na história. Mas para aqueles que acreditam que o conhecimento acadêmico e as chamadas tecnologias modernas somente são verdadeiros e necessárias se estiverem a serviço dos interesses da maioria da população, contribuindo para uma existência harmoniosa entre o homem e a natureza, entendem perfeitamente a importância de se valorizar os saberes tradicionais/populares/empíricos, que são fruto de anos convivência do homem com a natureza, respeitando o seu tempo e o seu ritmo para produzir. 

Diferentemente do modo capitalista de produzir para quem "tempo é dinheiro” e sempre buscará na pesquisa cientifica, tecnologias que possibilitem a aceleração do crescimento e redução de tempo do ciclo necessário para produção de uma determinada cultura, mesmo que para isso seja necessário violentar os princípios da natureza. Esta é a agricultura capitalista, hoje também conhecida como agronegócio, que visa simplesmente o lucro. É agricultura transformada em negócio e não visa produzir alimentos para eliminar a fome no mundo. Em vista disso, para este modelo, o uso abusivo de agroquímicos se justifica desde que maximize o lucro do capitalista. Por isso Josué de Castro teve razão ao afirmar que o problema da fome no mundo é um problema político e não de técnicas de produção.

A agroecologia por sua vez, vem na contramão desta lógica perversa da agricultura capitalista como foi muito bem exposto nos mais de 140 trabalhos científicos inscritos no evento e na fala dos palestrantes, principalmente na apresentação oral de experiências agroecológicas feita pelos camponeses e técnicos comprometidos com a saúde das pessoas e do planeta. 

Neste sentido, foi afirmado pelos expositores que a agroecologia se orienta por alguns princípios que vão na direção contrária do modo capitalista de produzir. O modelo de agricultura capitalista está baseado na monocultura, na produção em alta escala, na mecanização pesada e no uso intensivo de agroquímicos (venenos). E no final tem por objetivo reduzir a mão de obra e maximizar o lucro. Neste sentido hoje presenciamos cada vez mais uma agricultura sem agricultores.

Por sua vez, a produção no sistema agroecológico pelo fato de usar o principio do equilíbrio na natureza (sistema agroflorestal que conta com a diversidade de plantas, de seres vivos, não dá doenças/pragas) como fundamental para que a produção agroecológica, evitando a introdução de insumos externos (agroquímicos), seja viável. Para a agroecologia as plantas que competem com as plantas cultivadas não são vistas como "ervas daninhas” que devem ser eliminadas com herbicidas. Os insetos considerados "pragas” no sistema de cultivo convencional precisam ser controlados com venenos. No sistema agroecológico podem ser controlados por processos naturais, introduzindo determinadas plantas atrativas ou repelentes destes insetos (exemplo plantar arruda) ou facilitar a presença de aves que se alimentam destes insetos. 

Outro principio muito importante na agroecologia é a humildade e a capacidade de partilhar dos camponeses. Socializar os conhecimentos, os experimentos que foram positivos é compromisso ético. Realizar a troca de saberes como durante toda a historia do desenvolvimento da agricultura, os camponeses sempre o fizeram. Conhecimentos que sempre foram repassados de pai para filho até os nossos dias. A biotecnologia pesada, tão valorizada na atualidade, não é coisa do século XXI. A criação do milho, da mandioca, do algodão colorido, é resultado de seleções realizadas pelos camponeses há milhares de anos atrás. O professor Alberto Feiden, pesquisador da Embrapa Pantanal, afirmou em sua palestra que o milho foi desenvolvido há 7.000 anos pelos povos do México e o algodão colorido pelos povos do Peru e Bolívia, há 6.500 anos. E a pesquisa agrícola científica possui tão somente 170 anos.

Estes dois princípios agroecológicos são fundamentais para garantir a autonomia dos camponeses. Ter o conhecimento e o domínio de como plantar, quando plantar, onde plantar e o que plantar sem depender dos pacotes oferecidos pelas grandes empresas controladoras das sementes e dos agroquímicos, é ser uma cunha cravada/fincada nas contradições do sistema capitalista de produção.

Consultas médicas “por ordem de chegada”: um desrespeito aos pacientes

*POR FREI MARCOS SASSATELLI  

Há poucos dias, pedi por telefone uma consulta médica numa Clínica de Goiânia pelo plano da UNIMED da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Goiás (ADUFG). A atendente marcou a consulta na parte da tarde, a partir das 14h, “por ordem de chegada”. Chegando à Clínica, ela registrou a consulta e fiquei aguardando.

Depois de uma hora e 45 minutos de espera, perguntei se ainda iria demorar muito. A atendente me respondeu que havia dois pacientes na minha frente e provavelmente demoraria mais de meia hora.

Como não se tratava de um caso de urgência e devido a outro compromisso não podia esperar mais tempo, cancelei a consulta e voltei para casa. Duas horas de espera inutilmente! Um colega meu, para ser um dos primeiros a ser atendido, foi à Clínica logo depois do almoço, mas precisou esperar mais de uma hora, antes que iniciasse o atendimento. De todo jeito, nas consultas “por ordem de chegada”, todos têm que esperar, ou antes ou depois do horário marcado para iniciar o atendimento.

Reparem! No meu caso, tratava-se de uma consulta marcada pelo plano da UNIMED da ADUFG, que, reconheço, já é uma situação privilegiada. Se houvesse um Sistema de Saúde Pública funcionando bem para todos e para todas, não haveria necessidade de planos de saúde particulares.

Enquanto esse sonho não se tornar realidade (precisamos lutar muito para que isso aconteça), o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde deveriam, pelo menos, exigir que todos os médicos – do SUS e dos Planos de Saúde Particulares – atendessem os pacientes com horário marcado. Os médicos, sabendo aproximadamente quantos pacientes podem atender numa tarde ou numa manhã, deveriam marcar os horários das consultas, com pequenos intervalos entre uma e outra, para que eles mesmos pudessem descansar e atender melhor os pacientes.

Nos Planos de Saúde Particulares já existem médicos que atendem com horário marcado. Às vezes pode haver imprevistos: por motivos especiais, um paciente entra no horário do outro e torna-se necessário fazer pequenas adaptações. Isso é compreensível e dá para entender. Em alguns casos, chegando um pouco mais cedo e o médico estando livre, acontece até de ser atendido antes do horário agendado.

Marcar as consultas médicas, com horário fixado anteriormente, é um sinal de respeito aos pacientes: aos pacientes trabalhadores, que, na maioria das vezes, não têm condições de sair do emprego por um período longo para uma consulta médica e, sobretudo, aos pacientes idosos. Quando esperei na Clínica duas horas sem ser atendido, juntamente comigo (sentados em cadeiras pouco confortáveis) havia diversos idosos.

E ainda: os pacientes, usuários do SUS, são desrespeitados também quando, depois da consulta, precisam tirar – na mesma Unidade de Saúde – o chequinho para realizar os exames, pedidos pelo médico, em laboratórios conveniados. Os pacientes precisam enfrentar longas filas e, às vezes, ficar em casa aguardando por muito tempo a liberação de vaga. Quando, pois, a vaga é liberada, na maioria das vezes, isso acontece em laboratórios situados em regiões muito distantes do local onde os pacientes moram, dificultando e até impossibilitando a realização dos exames. E nos casos de urgência, como fica? Quem vai responder judicialmente pelas mortes causadas por falta de atendimento em tempo hábil?

No lugar de se preocupar com “a privatização da gestão” da saúde (em referência ao modelo das Organizações Sociais – OSs), o Poder Público deveria assumir a sua responsabilidade, como reza a Constituição Federal.

Quando será que a saúde, um dos direitos fundamentais de toda pessoa humana, será tratada como prioridade absoluta pelos poderes públicos federais, estaduais e municipais? Existem muitas promessas, sobretudo em época de eleições, mas quase nada se faz para melhorar o atendimento aos pacientes em geral e, de maneira especial, aos idosos.

Leia também:

Assine o Abaixo assinado do Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública: “Projeto de lei de Iniciativa Popular sobre o repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para a Saúde Pública Brasileira”: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=saude12 . Não deixe de participar!

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano e doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor aposentado de Filosofia da UFG.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Educação Popular construindo novos caminhos:EJA na Prisão em Campos Belos!

CONVITE


CONVITE


Fórum Goiano de Mulheres

Reunião próxima terça-feira,

Dia 30/10 às 17:30 horas

Local: CPM (Centro Popular da Mulher)
Av. Goiás (abaixo da rua 4), 759, Edifício Flávia (em cima da livraria Opção Cultural).
Pauta: Organização do dia 25/11 “dia internacional da não violência contra a mulher”.


A fome: desafio ético e político


*Por Leonardo Boff

Por causa da retração econômica provocada pela atual crise financeira, o número de famintos, segundo a FAO, saltou de 860 milhões para um bilhão e duzentos milhões. Talfato perverso impõe um desafio ético e político. Como atender as necessidades vitais destes milhões e milhões?

Historicamente este desafio sempre foi grande, pois a necessidade de satisfazer demandas por alimento nunca pôde ser plenamente atendida, seja por razões de clima, de fertilidade dos solos ou  de desorganização social. À exceção da primeira fase do paleolítico quando havia pouca população e superabundância de meios de vida, sempre houve fome na história. A distribuição dos alimentos foi quase sempre desigual.

O flagelo da fome não constitui, propriamente, um problema técnico. Existem técnicas de produção de extraordinária eficácia. A produção de alimentos é superior ao crescimento da população mundial. Mas eles estão pessimamente distribuídos. 20% da humanidade dispõe para seu desfrute 80% dos meios de vida. 80% da humanidade deve se contentar com apenas 20% deles. Aqui reside a injustiça.

O que ocasiona esta situação perversa é a falta de sensibilidade ética dos seres humanos para com seus coiguais. É como se tivéssemos esquecido totalmente nossas origens ancestrais, aquela da cooperação originária que nos permitiu sermos humanos.

 Esse déficit em humanidade resulta de um tipo de sociedade que privilegia o indivíduo sobre a sociedade, valoriza mais a apropriação privada  do que a coparticipação solidária, mais a  competição do que a cooperação, dá mais centralidade aos valores ligados ao masculino (no homem e na mulher) como a racionalidade, o poder, o uso da força do que os valores ligados ao feminino (também no homem e na mulher) como a sensibilidade aos processos da vida, o cuidado e a disposição à cooperação.

Como se depreende, a ética vigente é egoísta e excludente. Não se coloca a serviço da vida de todos e de seu necessário cuidado. Mas está a serviço dos interesses de indivíduos ou de grupos com exclusão de outros.

Uma desumanidade básica se encontra na raiz do flagelo da fome. Se não vigorar uma ética da solidariedade, do cuidado de uns para com os outros não haverá superação nenhuma.

Importa considerar que  o desastre humano da fome é também de ordem política. A política tem a ver com a organização da sociedade, com  o exercício do poder e com o bem comum.  Já há séculos, no Ocidente, e hoje de forma globalizada, o poder político é refém do poder econômico, articulado na forma capitalista de produção. O ganho não é democratizado em benefício de todos, mas privatizado por aqueles que detém o ter, o poder e o saber; só secundariamente beneficia os demais. Portanto, o poder político não serve ao bem comum. Cria desigualdades que representam real injustiça social e hoje mundial. Em consequência disso,  para milhões e milhões de pessoas, sobram apenas migalhas sem poder atender suas necessidades vitais. Ou simplesmente morrem em consequência das doenças da fome, em maior número, inocentes crianças.

Se não houver uma inversão de valores, se não se instaurar uma economia submetida à política e uma política orientada pela ética e uma ética inspirada numa solidariedade  básica não haverá possibilidade de solução para a fome e subnutrição mundial. Gritos caninos de milhões de famintos sobem continuamente aos céus sem que respostas eficazes lhes venham de algum lugar e  façam calar este clamor.

Por fim, cabe reconhecer que a fome resulta também do desconhecimento da função das mulheres na agricultura. Segundo a avaliação da FAO são elas que produzem grande parte do que é consumido no mundo: de 80% - 98% na África subsaariana, de 50%-80% na Ásia e 30% na Europa central e  do leste. Não haverá seguridade alimentar sem as mulheres agricultoras, caso não lhes for conferido  mais poder de decisão sobre os destinos da vida na Terra. Elas representam 60% da humanidade. Por sua natureza de mulheres são as mais ligadas à vida e à sua reprodução. É absolutamente inaceitável que, a pretexto de serem mulheres, se lhes neguem os títulos depropriedade de terras e o acesso aos créditos e a outros bens culturais. Seus direitos reprodutivos não são reconhecidos e se lhes impede o acesso aos conhecimentos técnicos concernentes à melhoria da produção alimentar.

Sem estas medidas continua válida a crítica de Gandhi: ”a fome é um insulto; ela avilta, desumaniza e destrói o corpo e o espírito…senão a própria alma; é a forma de violência mais assassina que existe”.

Veja do autor o livro: Comer e beber juntos e viver em paz, Vozes 2006.

*Leonardo Boff - Teólogo e Filosofo.