terça-feira, 22 de novembro de 2011

CARTA DE REPÚDIO À APROVAÇÃO DAS MUDANÇAS NO CÓDIGO FLORESTAL



Goiânia – Goiás, 22 de novembro de 2011.

Quando olhamos para a biodiversidade da fauna e flora brasileira vemos o quanto ainda é rica de norte a sul, de leste a oeste. Apesar de um processo de devastação para exploração de riquezas por mais de 500 anos, podemos ainda nos orgulhar como um país que tem belas praias, cachoeiras, rios com águas límpidas, lagos, animais das mais diversas espécies, florestas virgens, frutos nativos ricos em nutrientes etc. Mas esse santuário está ameaçado pela ação humana. O aumento da população nas cidades, a realização de atividades agropecuárias e industriais leva a cada dia ao desaparecimento de espécies animais e vegetais, muitas ainda desconhecidas por nós.

Muitos pesquisadores da área arriscam fazer previsões em quantidade de anos que os recursos naturais vão se esgotar, variando de 20, 30 e 50 anos. Será que vamos chegar até lá? Muitos sinais já são presenciados na atualidade como seca numa região e chuvas abundantes noutras causando catástrofes nunca antes vistas na história. Os prejuízos maiores acabam ficando para as camadas mais pobres da sociedade.

O crescimento econômico do país está a todo vapor com construções gigantescas das mais diversas formas porque estamos em preparação para a copa do mundo em 2014. Atrelado a isso temos o PAC que impulsiona a transformação social nos mais diversos setores. Todo esse processo gera uma enorme devastação porque é atividade humana que interfere nos biomas trazendo sérias conseqüências.

Toda a problemática vivenciada por nós no dia-a-dia como resposta da natureza pelas inconsequentes ações realizadas parece não significar nada para uma elite da sociedade que pensa e age em beneficio de si própria como se toda a riqueza natural disponível no Brasil pertencesse somente a ela. Trata-se do agronegócio que aumentou muito nas últimas décadas com o discurso de acabar com a fome, enquanto que na realidade os produtos são exportados e a geração de renda fica nas mãos de seus donos apenas. Para fortalecer esse império o deputado federal Aldo Rebelo do PC do B de São Paulo apresentou na Câmara Federal um Relatório que aponta emendas no texto do Código Florestal que tem causado muita polêmica na opinião pública. Caso o Relatório seja aprovado aí podemos dizer adeus à nossa rica fauna e flora descrita antes. O pior é que usa o discurso de que o agricultor que leva comida à mesa dos brasileiros é tratado como criminoso por produzir riquezas para a nação. No passado o desmatamento era incentivado pelo Estado para desenvolver o país e agora quer penalizar o agricultor. No campo cientifico usa de embasamento teórico e estratégias para provar que os desmatamentos que serão causados, sobretudo nas APPs não terão impacto algum, mesmo que cientistas renomados dizem o contrário. Há também idéia de que os pequenos agricultores precisam derrubar toda a vegetação para produzir sendo que é possível a geração de renda pelo extrativismo e agroecologia. Por conhecer pouco essas técnicas e não receber assistência técnica pelo Estado os pequenos agricultores alegam que as áreas de suas terras são pequenas. Uma vez mantendo a vegetação nativa a área da terra fica menor ainda e precisam ter renda. Nesse caso é preciso o Estado apontar alternativas subsidiando o pequeno agricultor a preservar o meio ambiente e tendo sua renda garantida no final do mês.

Que a natureza está às avessas nós não temos dúvidas. Basta ter um pouco de sensibilidade para perceber os efeitos catastróficos. Mas ainda é tempo de reverter a situação. Cada um de nós pode contribuir para isso. Portanto queremos formar uma corrente para dizer não á aprovação de emendas no Código Florestal propostas por Aldo Rebelo por uma série de motivos que já foram ditos e outros significativos para a continuidade das espécies animais e vegetais. Isso porque o texto final do Código Florestal proposto desconsidera o ser humano como parte integrante da Mãe Terra. Nessa visão nós humanos somos seres superiores que usamos e abusamos da natureza e não somos punidos.

Por fim, vamos dizer em alto e bom tom: Não à aprovação das mudanças no Código Florestal! A vida deve prevalecer e a sociedade brasileira deve ficar atenta antes que seja tarde!


Compartilham dessas idéias:

Grupo Grita Cerrado – Formado pelas entidades abaixo e se reúne mensalmente para discutir e planejar ações em defesa do bioma Cerrado.

- Comissão Pastoral da Terra
- Conferência dos Religiosos do Brasil – Regional Goiânia
- Centro Loyola
- Comissão Dominicana de Justiça e Paz no Brasil
- Centro de Estudos Bíblicos.

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