quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Informe do Movimento Camponês Popular




Demora em licitações e na entrega de maquinário agrícola ilustra o descaso do estado com famílias camponesas, em especial, de Crixás, Santa Terezinha e Uirapuru que enfrentam grave crise do leite
MCP negocia, desde 2009, recursos, através do Programa Nacional de Desenvolvimento Territorial (Pronat), para a aquisição de equipamentos agrícolas. O projeto, de cerca de um milhão de reais, foi contratado via Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás (Seagro). A entrega desses equipamentos mudaria de forma significativa a realidade de famílias camponesas.
“As famílias dos municípios de Crixás, Santa Terezinha e Uirapuru enfrentam grave crise, especialmente, na produção de leite. A demora em adquirir e entregar os equipamentos causou, somente nos últimos dois anos, prejuízo superior a dois milhões de reais; ou seja, três mil reais por dia para as 300 famílias camponesas que poderiam ter um preço melhor pelo litro de leite vendido e entregue, diretamente, na porta da indústria”, afirma o economista e integrante da coordenação nacional do MCP, Altacir Bunde.
Há dois graves entraves por parte da Seagro. O primeiro, e mais grave, é a conclusão das licitações de um caminhão para a coleta de leite nas comunidades rurais, dois veículos e quatro motocicletas para o acompanhamento das famílias. Outro problema é a não entrega de equipamentos já licitados e que se encontram no pátio da secretaria.
Segundo informações do superintendente de Desenvolvimento Agrário e Fundiário da Seagro, Antônio Sêneca, há umcaminhão já licitado, mas a entrega não foi feita porque o governo de Goiás não pagou a contrapartida.  Sem os caminhões as famílias continuam sem poder entregar sua produção de leite diretamente na indústria e seguem vendendo leite a menos de 50 centavos o litro, chegando, às vezes, a 30 centavos.
“Estamos sem condições. O leite estava sendo levado de frete, mas o carreteiro teve que parar. O único salário nosso é o da venda do leite. Cada família vendia 50 litros de leite, por dia, mas agora nem isso está dando, porque não tem como entregar o produto. Queremos entregar direto para as empresas, sem atravessador. Nosso apelo é esse, é pelos tanques e veículos que são direitos nossos. Nossa comunidade tem o sonho de, no futuro, beneficiar o leite aqui mesmo, mas o camponês é sempre desvalorizado”, reclama Nazareno José da Silva, camponês de Uirapuru.
Após três anos de muita luta o MCP recebeu, em novembro, parte do maquinário e equipamentos eletrônicos solicitados através do programa, com 90% de recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e 10% da Seagro. Na solenidade, o secretário da agricultura, Antônio Flávio Camilo, comprometeu-se a entregar o maquinário agrícola e os tanques ainda em novembro de 2012. Passados mais de dois meses, grande parte do maquinário agrícola, entregue apenas formalmente, segue no pátio da secretaria. O descaso é tão grande que tanques de resfriamento de leite a granel estão no pátio desde setembro de 2011.
É inviável que as famílias camponesas façam o transporte de cargas pesadas pelos mais de 300 quilômetros que separam Goiânia dos municípios do norte. A entrega parcial ocorreu após muita pressão do MCP, inclusive com duas ocupações da secretaria. Agora, o movimento aguarda a conclusão das licitações e a entrega do restante do maquinário e veículos o mais rápido possível. O MCP prepara nova mobilização para cobrar da Seagro as demandas.
A casa do agronegócio
Goiás tem 88,4 mil estabelecimentos familiares, ocupando 3.329.630 ha, com média de 3,6 ha por estabelecimento, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As famílias camponesas são responsáveis pela produção de alimentos básicos, fornecendo a maioria da comida que vai à mesa dos goianos. Contudo, é evidente que a agricultura camponesa é invisível para o estado.
O diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Argileu Martins da Silva, afirmou, também em novembro, que Goiás tem o pior serviço de extensão rural do País, junto com o Piauí. Argileu da Silva ressaltou que, no estado, o acesso à assistência técnica é restrito e há grande dificuldade em fazer com que as tecnologias cheguem às famílias camponesas.
O serviço só atende 10% da demanda e não atende de forma adequada. Entretanto, a “casa do agronegócio” segue apoiando, fortemente, a agricultura da morte, que concentra terras, contamina a natureza e gera miséria no campo e nas cidades. Pauta comum dos movimentos é a necessidade de reorganizar a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater - GO), que foi desintegrada. As organizações do campo também lutam por uma política voltada para a agricultura camponesa, as propostas já foram elaboradas e apresentadas ao Secretário de Agricultura, que ignorou o assunto.
Goiás ter o pior serviço de assistência técnica do país e não ter uma politica para a agricultura camponesa é devido, principalmente, ao comprometimento do governo, e da própria Seagro, com ações voltadas, exclusivamente, ao agronegócio e aos latifundiários ligados à Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). Não há política para a agricultura camponesa, as poucas ações são, apenas, de caráter assistencialista e diante disso não se pode esperar outra coisa a não ser o abandono às famílias camponesas por parte do estado. 

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Comunicação MCP
Marina Muniz Mendes
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